quarta-feira, 11 de junho de 2008

Sem medo escrevo

É sem medo que escrevo, sem medo penso,
sem medo sofro, compreendo e calo.
Sem medo peso os termos quando falo.

Sem medo me renego, me convenço.
Sem medo amo, sem medo me pertenço.
Sem medo me repouso no intervalo de outros novos.
Sem medo resvalo o corpo escrutador, inquieto, tenso.

Sem medo durmo. Sem medo acordo.
Sem medo invento. Sem medo passo, sem medo fico.
Sem medo meço o pobre, meço o rico.

Sem medo guardo Confissão Segredo Dúvida Fé.
Sem medo revelo quem tu és
Sem medo. Sem medo de tudo.
Que já me querem cego, surdo, mudo.

Adaptação de um poema de José Cutileiro

2 comentários:

Mula da Cooperativa disse...

Sem medos a vida torna-se mais intensa, mas mais sofrida.
Não contem com os meus medos!
Gritarei aos sete ventos, sem medos, aquilo que acredito ser verdade.

Ana

Anónimo disse...

Para reflectir

"Il n'est d'autres remèdes à la peur que de se jeter à corps perdu dans la volonté de Dieu."

(Georges Bernanos / 1888-1948 / Dialogues des Carmélites)

Ana