terça-feira, 3 de junho de 2008

Que país é este?

Que país é este onde se mata o mensageiro quando não se gosta da mensagem?

Que país é este onde o conselho fiscal de uma cooperativa denuncia gestão danosa na mesma, descobre que o presidente abusou das suas funções, que usa e abusa de forma discricionária dos dinheiros de um fundo destinado a construção de casas para famílias viverem e nada acontece?

Que país é este onde a melhor resposta de uma direcção e de uma mesa da Assembleia Geral é mexer os cordelinhos para correr com a presidente do conselho fiscal, acusada de ser uma malvada denunciante?

Que país é este onde uma cooperativa muda os seus objectivos, promete que o dinheiro será usado num conselho cultural e depois cultura é dar donativos a igrejas, escuteiros, pagar almoços particulares no Museu do Azulejo, comprar aparelhagens de alta fidelidade embrulhadas na capa de projectos de domótica, viagens a Marrocos para um grupo de amigos com objectivos duvidosos e nunca oficialmente relatados, pagar ordenados sem facturação, fazer ajustes directos a amigos e nada acontece?

Que país é este onde inscrevendo familiares e amigos, pagando-lhes as quotas, se consegue manipular votações em assembleias onde gente séria deixou de aparecer, ou quando aparece rapidamente percebe ter comprado um bilhete para o circo quando só gosta de teatro?

Que país é este onde gente sem escrúpulos se agarra ao poder e depois pensa que, ao primeiro gesto de contestação, alguém só lho quer tirar? Miséria...

Que país é este onde alguém todos os domingos bate com a mão no peito nos bancos de uma igreja, propagandeia a "caridade", mas há muito se esqueceu que o verdadeiro significado bíblico desta é AMOR! E que o mesmo Livro Sagrado, cujos ensinamentos lê, mas não pratica, diz que se pode ter tudo, mas se não houver AMOR, de nada serve o que fazemos!

Que raio de país é este onde a sobrevivência, a ambição pessoal, a promoção pessoal, a imagem, a goodwill, o networking, as connections, os grupos de amiguinhos que se protege, valem mais do que os valores morais e éticos que deveriam ser bagagem pessoal desde o berço?

Que raio de país é este onde histórias similares às da cooperativa ISTCOOP são sussuradas e nunca denunciadas?

O preço a pagar parece está à vista. Ana Soares Dias, Agostinho Fonseca e Milena Figueiredo tiveram a coragem de dizer BASTA e o preço que vão pagar é óbvio: os segundos escapam aparentemente à primeira tentativa de saneamento - que estava planeada pelo presidente da direcção desde dois dias após a eleição do conselho fiscal em Julho de 2007, quando convidou um velho cooperador para fazer parte de um novo conselho fiscal, porque com aquele não iria conseguir trabalhar, mas a primeira, Ana, talvez por ser a presidente e por não conseguir silenciar esquemas injustos, vai ser liquidada no próximo dia 5 de Junho, às 21 horas, no pequeno auditório do Núcleo Central do Tagus Park.

Quero acreditar que as instâncias deste país não vão permitir que tal aconteça, que a história desta cooperativa se silencie por aqui. Por um motivo muito simples: Se Ana for calada agora e o regabofe continuar, no final a factura do buraco financeiro da ISTCOOP será pago de forma igual por todos os cooperadores com quota de 249,5 euros no seu capital. E não vale a pena fugir e ir a correr anular a quota e pedir de volta o capital social. A responsabilidade aplica-se ao período de tempo em que os alegados crimes ocorreram!